Opinião: Anel da Morte

Teodomiro Braga escreveu este texto no O TEMPO de sábado, 5. Reproduzo-o aqui no blog por concordar com tudo que ele diz sobre uma das rodovias onde mais se mata no Brasil.

ANEL DA MORTE

por Teodomiro Braga *

Sai ano, entra ano e algumas coisa, no Brasil, continuam do mesmo jeito. Uma delas é o Congresso Nacional, que acaba de inaugurar nova legislatura com as famigeradas figuras de sempre. Estou me referindo a Paulo Maluf, José Sarney, Anthony Garotinho e outros, cujas presenças na Câmara e no Senado mostram que a Lei da Ficha Limpa não passou de balela.

Se saiu Jader Barbalho, entraram Tiririca, Romário e até um ex-BBB. E para não deixar dúvida alguma sobre o que se pode esperar do novo parlamento, o Senado elegeu José Sarney para seu presidente nos próximos dois anos, como parte de um acordo pelo qual ele será sucedido pelo alagoano Renan Calheiros. Dá para aguentar?

Outra coisa que sai ano, entra ano e continua na mesma é o descaso das autoridades com o Anel Rodoviário de Belo Horizonte, a nossa ‘rodovia da morte’ . Em 2010, os acidentes causaram 39 mortes. Este ano, só em janeiro, foram nove pessoas mortas. Foi preciso haver o brutal acidente no trecho do Anel que corta o bairro Betânia, na sexta-feira retrasada, para que a sociedade despertasse de vez para o problema, iniciando uma vigorosa reação contra a incompetência, a irresponsabilidade e a negligência com que as autoridades vêm lidando há vários anos com o problema.

A brutalidade do acidente foi uma trágica ilustração sobre como os motoristas que trafegam diariamente pelo Anel Rodoviário enfrentam risco de vida por conta da precariedade da pista e da falta de sinalização e de equipamentos de segurança, além de quase inexistência de fiscalização.

Não dá mais para aceitar desculpas esfarrapadas do DNIT para prosseguir com os seguidos adiamentos das obras.

Em alta velocidade, uma carreta arrastou 14 carros que estavam à sua frente, deixando um rastro ensanguentado de destruição nos dois lados da pista. Uma tragédia dessa proporção teria sido evitada se tivessem sido realizadas as obras de reforma do Anel, há tantos anos prometidas e há tantos anos adiadas.

Além dos protestos de sempre, desta vez a reação contra as mortes no Anel incluiu uma ruidosa manifestação de protesto em frente à sede do DNIT organizada por várias entidades. “Dilma, quantas mais (mortes) teremos?”, perguntava uma das faixas carregadas pelos manifestantes.

Espero que esta manifestação seja a primeira de muitas, pois somente com o muito protesto, com muita gritaria, com muitas ações na Justiça e outras medidas coletivas é que se conseguirá acabar com o descaso do poder público em relação à urgência da reconstrução do nosso Anel Rodoviário.

Aproveito este espaço para fazer a minha parte neste movimento de protesto iniciado essa semana. Não dá mais para aceitar as desculpas esfarrapadas do DNIT para prosseguir com os seguidos adiamentos das obras, o último deles causado – pasmem – por erros grosseiros no projeto do novo Anel.

*Teodomiro Braga é colunista aos sábados do Jornal O TEMPO. O texto foi transcrito conforme está no jornal e teve autorização prévia do autor.

 

 

Uma resposta para Opinião: Anel da Morte

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Arrudas News, Eduardo Sarsur. Eduardo Sarsur said: Mais um texto sobre o Anel Rodoviário, a opinião de Teodomiro Braga do O TEMPO no blog: http://bit.ly/gHXhb6 #blogpost #bastademortesnoanel [...]

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